domingo, 24 de agosto de 2014

Por que o nariz do cachorro é gelado?


Faz um frio danado, o cobertor não dá conta e você corre para a cama do seu irmão querendo se aquecer. Chega na ponta do pé, cavando espaço, até que a ponta do seu nariz encosta bem nas costas do pobre desavisado que vai dividir espaço com você. Ele se assusta, dá um pulo da cama e diz: – Que nariz gelado! Parece até um cachorro!
(ilustração: Lula)
(ilustração: Lula)
Sua estratégia deu errado. Você volta encolhido para a sua cama e a pergunta não sai da sua cabeça: por que o nariz do cachorro está sempre gelado?
O focinho gelado do cão, segundo os especialistas, é sinal de saúde. E o que mantém o focinho do cachorro sempre frio e molhado é o fato de que esses animais regulam a sua temperatura corporal, ou seja, o grau ou perda de calor do corpo, por meio da respiração. Repare que os cães estão quase sempre respirando com a boca aberta e a língua para fora, muitas vezes, pingando saliva. Isso também colabora com a perda de calor.
Mas voltemos ao nariz do cachorro: se ele estiver quente, é bom ter cuidado. O animal pode estar com febre, um alerta do corpo para alguma doença. A febre pode, por exemplo, sinalizar uma gripe ou infecção causada por microrganismos, como bactérias. Isso deixa o nariz de seu fiel amigo seco e com a temperatura alta. Aja depressa, levando-o ao veterinário.
Esteja atento ao nariz do seu cachorro porque é o olfato o sentido mais importante para ele. Por meio do seu faro apurado, o cão consegue identificar pessoas, perceber cheiros que estão bem distantes e até mapear os lugares e, assim, não se perder de casa.
Tudo isso acontece porque dentro do nariz dele existem os receptores protéicos – células sensíveis aos odores, localizadas na mucosa nasal, que ao receberem os cheiros são responsáveis por identificá-los. Essas células também estão presentes em outros animais, como em nós, seres humanos, mas existem em maior quantidade no nariz do cachorro.
Como curiosidade, lembre-se de que alguns cães são usados para o benefício da sociedade. Os farejadores, por exemplo, são treinados e ajudam policiais a identificar drogas – substâncias proibidas e prejudiciais à saúde – em lugares difíceis de serem encontradas, como malas e armários fechados.
O trabalho de cães como esse depende totalmente de um bom nariz… gelado!
(Esta é uma reedição do texto publicado na CHC 164)
Luiz Carlos de Sá Rocha, Faculdade de Medicina Veterinária, Universidade de São Paulo

segunda-feira, 11 de agosto de 2014

Você com certeza já ouviu falar da força da gravidade, certo? Ela nos puxa para o centro da Terra e nos impede de sair flutuando por aí. Pensando em entender melhor essa interessante força, resolvi fazer um experimento bacana: será que existe alguma chance de um balde com água ficar virado de cabeça para baixo e não derramar uma gotinha sequer? Vamos descobrir!
Será que o balde giratório anula a força da gravidade que age sobre a água? (foto: Domínio Público)
Será que o balde giratório anula a força da gravidade que age sobre a água? (foto: Domínio Público)
Você vai precisar de:
* Um balde com alça
* Água
Para começar, certifique-se de que está num lugar aberto e que possa ser molhado caso alguma coisa dê errado. Encha o balde com água até a metade.e segure a alça com firmeza. Agora, estique o braço e comece a girar o balde ao redor de si mesmo, de modo que, quando estiver lá em cima, ele fique de cabeça para baixo. Tenha cuidado, pois, até estar bem treinado, é possível que você derrame um pouco de água.
Continue girando e perceba como a água no interior do balde se comporta..Agora, pode parar de girar o balde antes que seus braços fiquem cansados. Para isso, vá diminuindo a velocidade aos poucos, até poder colocá-lo novamente no chão sem derrubar a água que está dentro dele.
Pronto! E aí, a água foi derramada enquanto você girava o balde? Em algum momento ele ficou de ponta-cabeça e a água não foi caiu? Por que será que isso acontece? Conte para a gente nos comentários!
Zíper , Ciência Hoje das Crianças
Gosto de zanzar por aí à procura de novidades interessantes do mundo da ciência. Adoro bancar o cientista e realizar os experimentos mais malucos!

sábado, 21 de junho de 2014

Viagem ao planeta vermelho Uma sonda especial acaba de pousar em Marte. Saiba o que ela vai fazer lá


A astronomia está em festa. Você viu na televisão ou na internet imagens de pesquisadores da agência espacial americana (Nasa), pulando e comemorando como se houvessem ganhado mais uma medalha nas Olimpíadas? O que eles celebravam com tanta alegria era o pouso bem sucedido da sonda Curiosity (que quer dizer curiosidade, em inglês) em Marte.
No vídeo abaixo, você confere uma animação que simula a chegada da Curiosity à Marte e, claro, a comemoração dos cientistas que a acompanharam


Na madrugada do dia 6 de agosto, após quase nove meses de viagem e um complexo procedimento de aterrissagem, a sonda deu início a uma grande investigação sobre o planeta vermelho. Além de pesquisar a atmosfera, a geologia e a bioquímica de Marte, a Curiosity vai ser uma aliada dos pesquisadores para desvendar se há ou não vida por lá!
Sonda Curiosity
A Curiosity tem o tamanho de um carro pequeno – pouco menos de três metros de comprimento – e desceu de paraquedas à superfície de Marte (Ilustração: Nasa/JPL-Caltech)
É claro que ninguém está esperando encontrar os homenzinhos verdes de olhos gigantes que povoam as histórias de ficção científica, mas pode ser que formas de vida mais simples, como bactérias, habitem o planeta. Afinal, entre todos os que conhecemos, Marte é o planeta com características geológicas e climáticas mais parecidas com a da Terra e os cientistas já encontraram pistas de que há água por lá – uma característica importante para o surgimento da vida.
Marte
Esta é uma das primeiras imagens enviadas pela Curiosity lá de Marte (Foto: Nasa)
Para ter uma pista do tipo de microrganismo que poderia existir em Marte (e até em outros planetas!), os cientistas têm estudado bactérias existentes aqui na Terra, em regiões com características que lembram o ambiente que a Curiosity vai explorar no planeta vermelho. Um desses locais é o deserto do Atacama, no Chile, onde não chove há cerca de 150 milhões de anos. Embora seja difícil encontrar vida na areia diretamente exposta ao Sol, há muitos microrganismos vivendo embaixo das pedras – será que em Marte acontece a mesma coisa?

Autor : 

Marcelo Garcia, repórter do Instituto Ciência Hoje
Sou um curioso apaixonado por ciência e adoro quadrinhos e ficção científica. Quase virei cientista, mas preferi me dedicar a mostrar pra todo mundo que a ciência está em tudo ao nosso redor!

Olha o raio! Entenda por que é perigoso ficar no mar durante uma tempestade

Adoro piscina, e também gosto muito de me divertir no mar. Mas, quando vem uma tempestade daquelas, o melhor mesmo é sair de fininho – ficar longe da água e procurar um abrigo. Dia desses, o leitor João Mendes Neto Gomes nos enviou uma dúvida muito interessante: quando um raio cai no mar, até onde chega sua eletricidade?


Quando um raio cai no mar, sua descarga elétrica pode percorrer até três quilômetros. (Imagem: Wikimedia Commons)
Para responder à questão, resolvi ir até o Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais, onde conversei com geofísico Osmar Pinto Junior. E não é que ele tinha a resposta na ponta da língua? “Um raio pode percorrer até três quilômetros no mar”, disse. Que perigo! Isso quer dizer que raios podem ser fatais até mesmo a longas distâncias.
Por isso, ao observar uma tempestade se aproximando, recolha as boias e toalhas e vá se divertir longe do mar e da areia. Na segurança da sua casa, aproveite para ouvir o episódio da Rádio CHC sobre raios e saber mais sobre esse incrível fenômeno natural!
Rex , Ciência Hoje das Crianças
Sou o mascote da CHC. Troquei a pré-história pelo mundo virtual para mostrar a você o lado curioso e divertido da ciência.

Histórias de índios Estudo recupera a memória das cerâmicas tupi-guarani

Ao longo da história do Brasil, desde a colonização, muitas das grandes comunidades indígenas tupi-guarani foram dizimadas por estarem no caminho dos interesses do homem branco. Por sorte, algumas pistas foram deixadas para trás e podem contar suas histórias!
Entre as mais interessantes estão peças de cerâmica produzidas por esses grupos indígenas. Em Alagoas, há um grupo de pesquisadores determinados a estudá-las – eles mapearam os achados arqueológicos dos sítios da região para desvendar essa tradição.
Pintura originalmente com uma cor vermelha muito viva e traços mais grossos, desgastada pela passagem do tempo. (foto: Rute Barbosa)
Pintura originalmente com uma cor vermelha muito viva e traços mais grossos, desgastada pela passagem do tempo. (foto: Rute Barbosa)
Logo de cara, dá para ver que os diferentes grupos fabricavam cerâmicas também diversificadas. “Mas, apesar de cada etnia ter suas particularidades, as cerâmicas produzidas apresentam também muitas características semelhantes”, conta o historiador João Carlos Lima de Morais, da Universidade Federal de Alagoas.
Uma dessas semelhanças é a finalidade das peças: alguns tipos de urnas eram usados para depositar partes dos corpos de guerreiros sacrificados, em cerimônias realizadas pelo grupo. Outras vasilhas, por sua vez, eram utilizadas para guardar mandioca e outros alimentos. E havia ainda inúmeras finalidades para os vasos, que atendiam às diferentes necessidades do dia a dia das aldeias.
Fragmento de cerâmica com detalhes em vermelho sobre um fundo branco, além de linhas finas e pontos. (foto: Rute Barbosa)
Fragmento de cerâmica com detalhes em vermelho sobre um fundo branco, além de linhas finas e pontos. (foto: Rute Barbosa)
João explica que ainda existem mais de 300 etnias indígenas espalhadas pelo Brasil, incluindo alguns grupos tupi-guarani. Embora eles preservem um pouco das tradições passadas, é muito difícil determinar o significado exato das complexas pinturas presentes nas cerâmicas de seus antepassados.
“Os materiais produzidos apresentavam com frequência complexos desenhos geométricos e abstratos nas cores branca, vermelha, preta e cinza”, descreve o pesquisador. “Uma característica importante dessa tradição era o papel central da mulher na produção, uma forma de expressão cultural da qual elas mesmas se orgulhavam.”
Mais pistas
Além de objetos para uso cotidiano, alguns documentos históricos produzidos pelos primeiros colonizadores nos deixaram informações preciosas sobre os tupi-guarani. Um traço cultural marcante que revelam é, por exemplo, a forma de organização das aldeias: as ocas eram dispostas ao redor de uma praça que era palco de diversos eventos sociais da aldeia.
“Ao redor dessa praça, as estruturas poderiam ser das mais diversas, como cabanas para abrigar animais de estimação e depósitos”, explica João. “Se o local de ocupação estivesse em uma área muito disputada, ataques inimigos podiam acontecer. Por isso, eram instaladas paliçadas – algo como uma parede de estacas de madeira – para proteção contra os invasores”, completa.
Isabelle Carvalho, estagiária do Instituto Ciência Hoje
Desde criança, sempre gostei de ler e escrever histórias. Hoje, estou muito feliz por poder contar muitas histórias sobre ciência na CHC!

sexta-feira, 20 de junho de 2014

E se a Terra parasse de girar?

Já estamos acostumados a ouvir: a Terra gira o tempo todo, em torno de si mesma e ao redor do Sol. Mas… o que aconteceria se nosso planeta deixasse de fazer esses movimentos? Esta foi a pergunta da leitora Ana Beatriz Kutil Mejia e, para respondê-la, conversei com o astrônomo João Canalle, da Universidade do Estado do Rio de Janeiro.
Já pensou? Se a Terra parasse de girar, estaríamos encrencados! (Imagem: Nasa / Wikimedia Commons)

“Se a Terra parasse de girar em torno de seu próprio eixo de rotação, o dia passaria a ter um ano”, explicou o cientista. “Durante seis meses no ano nós veríamos o Sol, logo, estaríamos na parte diurna do dia; mas nos outros seis meses não veríamos a luz solar, e por isso estaríamos na parte noturna do dia”.
Que loucura! Segundo João, as consequências seriam desastrosas para a vida na Terra, pois animais e vegetais não são adaptados para viver nessas condições. As noites seriam muito mais frias e os dias, muito mais quentes!
Já se a Terra parasse de girar em torno do Sol, escaparíamos de nossa órbita usual e passaríamos a fazer uma trajetória em linha reta no espaço, cada vez mais longe da nossa estrela. Para entender melhor: imagine que você está girando uma pedrinha amarrada em um barbante. Se, de uma hora para outra, a pedra se soltasse, sairia voando em uma trajetória independente da força que a mantinha em rotação.
“Eventualmente, passaríamos a estar tão longe do Sol que não teríamos mais dias, apenas noites”, conta o astrônomo. Nesse caso, as formas de vida que hoje habitam nosso mundo também não sobreviveriam. Felizmente, não há nenhum indício de que a Terra possa parar de girar – nosso planeta deve continuar nesse movimento de gira-gira por muito tempo!

  Autor : Rex , Ciência Hoje das Crianças
Sou o mascote da CHC. Troquei a pré-história pelo mundo virtual para mostrar a você o lado curioso e divertido da ciência.

Curiosidades culinárias


O cheirinho que em da cozinha atravessa os cômodos da casa, chega ao seu nariz e desperta o seu estômago. Da próxima vez que isso acontecer, junte-se ao mestre-cuca e tente desvendar o mistério do aroma.
Provavelmente, você vai descobrir que ele vem de uma planta, ou melhor, de parte de uma planta que está sendo usada em pedaços ou em pó como tempero. Pode ser pimenta-do-reino, ouro, manjericão… No caso de doces, cravo ou canela, por exemplo. Seja o que for, pode apostar que o cheiro vai longe e que a planta veio de longe também!
Essas ervas aromáticas, chamadas especiarias, hoje são facilmente encontradas em supermercados e feiras livres. Mas, tempos atrás, a história era bem diferente. No final de Idade Média, elas só eram compradas das mãos de comerciantes que as traziam de cidades da África e da Ásia para revender a preços altos na Europa.
Mais tarde, com a chegada dos navegantes europeus ao continente americano, outros temperos foram descobertos, como a noz-moscada-do-brasil e até o pimentão, que é nativo da América do Sul.
Vindas de terras distantes, as especiarias pareciam envoltas numa nuvem de magia e mistério, pois muitas, além de servirem como condimentos, tinham o poder de tratar a saúde. Os comerciantes, claro, se aproveitavam do fascínio do povo e cobravam cada vez mais por esses produtos.
Portugal foi um dos países que aumentaram muito suas riquezas com o comércio das especiarias trazidas, principalmente, da Índia. O navegador português Vasco da Gama foi o primeiro que chegou a Calicute, na Índia, estabelecento uma nova rota marítima entre seu país e o Oriente para o transporte desse “tesouro vegetal”.
O tempo passou, e as especiarias deixaram de ser exclusividade da mesa dos mais ricos. Novas terras foram descobertas, como o Brasil, e nelas passaram a ser cultivados muitos desses produtos. Pronto: as especiarias estavam ao alcance do povo! O mais simples dos pratos podia ter mais sabor!

Autor :  Carlos Alexandre Marques, Departamento de Botânica, Laboratório de Morfologia Vegetal, Universidade Federal do Rio de Janeiro

Vitamina de computador Entenda como a vitamina E pode evitar um curto-circuito em aparelhos eletrônicos


Manter uma alimentação equilibrada, aposto que você já sabe, é importante para conseguir as vitaminas necessárias para se manter saudável. No corpo humano, as vitaminas têm funções variadas, como ajudar a formar células especiais, facilitar a absorção de outros nutrientes, auxiliar na defesa contra microrganismos invasores… Agora, como uma vitamina pode ser útil para um aparelho eletrônico?
Calma, que a CHC explica. A ideia partiu de um grupo de pesquisadores da Universidade de Northwestern em Illinois, Estados Unidos, que resolveu usar vitamina E para proteger aparelhos como computadores de curto-circuitos causados pela eletricidade estática. Sabe o que é isso?

Talvez sem saber, você pode já ter experimentado esse fenômeno – por exemplo, ao arrastar seus pés em um tapete e, logo depois, tocar uma maçaneta ou outro objeto de metal. O resultado foi um choque, não foi? Esse choque é o resultado da eletricidade estática: a lã que compõe o tapete perde elétrons com facilidade e, ao esfregar seus pés nela, a carga negativa perdida passa para o seu corpo, ficando acumulada – ou seja, estática. Ao tocar o objeto de metal, um bom condutor de elétrons, a carga é transferida para ele e… Zap! O rápido fluxo de carga negativa que sai do seu corpo para o metal causa um choque.
Nessa situação, o fenômeno é inofensivo, mas pode ser uma ameaça quando envolve dispositivos eletrônicos. Tais aparelhos podem acumular cargas negativas até uma quantidade suficiente para gerar curto-circuito, o que irá danificá-los.
Para evitar que isso aconteça, é possível usar o fio-terra – assim chamado porque fica enterrado no chão – para conduzir a carga elétrica acumulada até o solo, evitando o curto-circuito. No entanto, essa estratégia pode não ser a melhor.
“O uso do fio terra pode ser útil, mas nem sempre é fácil”, explica José Alberto Bonapace, físico-químico no Instituto de Química da Universidade Federal do Rio de Janeiro. “Prédios antigos, por exemplo, muitas vezes não contam com esse tipo de instalação elétrica”.
A ideia de usar a vitamina E, então, veio quando a equipe de cientistas mergulhou nesse composto plásticos como copos de café e sacos de supermercado. Ricos em radicais livres, esses materiais passaram a acumular menos eletricidade estática quando em contato com a vitamina.
Segundo José Alberto, a pesquisa mostra que a vitamina E pode ajudar a proteger nossos aparelhos eletrônicos. “As indústrias poderiam usar a vitamina E como revestimento nos produtos fabricados, de forma a evitar que eles acumulem cargas”, comenta. “O único problema é que é uma vitamina cara, mas essa descoberta pode servir de base para o desenvolvimento de outras soluções para esse problema no futuro”.

Autora: 


Isabelle Carvalho, estagiária do Instituto Ciência Hoje
Desde criança, sempre gostei de ler e escrever histórias. Hoje, estou muito feliz por poder contar muitas histórias sobre ciência na CHC!